ESCAPARATE




Porque... conhecer um país é tentar entender sua cultura... e isso nem sempre é divertido!
A Plaza de Toros lembra muito o Circo Romano, mas sua origem remonta a muito mais tempo, ainda mais se nos referimos à Península Ibérica. Muito parecida a ela era a forma dos templos celtibéricos, onde eram celebrados sacrifícios de reses bravas em homenagem aos seus deuses.
Com o tempo, e com a influência do circo greco-romano, acentuou-se o carater de espetáculo às corridas de toros, ou touradas, e fez desaparecer o papel que ocupava como rito e sacrifício religioso.
Desde sua origem com os povos celtíberos da Península, até as touradas da Espanha de hoje, houve apenas um breve período de 800 anos durante a qual essa prática foi proibida por ser considerada abominável, e foi na época da dominação dos reinos muçulmanos aqui na Península Ibérica. Coincidentemente reinicia nos anos de descoberta da América...



Escrito por Sofia às 10h31
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No início há que provocar um pouco... o touro parece buscar uma saída...



Escrito por Sofia às 10h26
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Começa a luta...



Escrito por Sofia às 10h25
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A primeira etapa das investidas contra o touro. Ainda nao é a vez do toureiro.



Escrito por Sofia às 10h23
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Aproxima-se o cavaleiro com a lança para ferir o touro...



Escrito por Sofia às 10h21
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Depois das bandeirolas vem o cavaleiro com sua lança para machucar ainda mais o touro e deixá-lo pronto para as investidas do toureiro... O cavalo está com os olhos vendados para nao ver o touro e a arquibancada ao contrário, de olhos bem abertos... ou quem sabe nao....



Escrito por Sofia às 10h19
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Sao muitas cores e sons desordenados... movimentos e o toureiro se aproxima com gestos altivos e provocativos para com o touro já quase vencido...



Escrito por Sofia às 10h14
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Algumas investidas mais, e logo o touro estará vencido, mas ainda deve haver algum espetáculo...



Escrito por Sofia às 10h12
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Depois de tanta luta, o toureiro está prestes a dar o golpe fatal e vencer o touro.



Escrito por Sofia às 10h07
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A última etapa. A retirada do vencido touro da arena.



Escrito por Sofia às 10h04
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TINTO

 

Conversam enquanto o prazer é degustar todos os sentidos. Sabor e olfato afinados. Um alterar de voz e a toalha tingida de vermelho.



Escrito por Sofia às 06h50
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Um dia de Kafka

 

 

Atendeu o telefone mesmo sem tê-lo ouvido. A voz do outro lado trouxe a dúvida do real. Farão disso uma prisão, pensou. Desligou e jamais falou novamente com Kafka.



Escrito por Sofia às 06h03
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THOMAS BERNHARD - um escritor corrosivo...

 

 

(...) um homem dotado de talentos variados mas, definitivamente, catastróficos para ele e para todos (...) (Trastorno, p.94. Sobre o príncipe Saurau, mas sobretudo sobre o ser humano.)

 

 

 

Cada vez que leio um livro de Thomas Bernhard, creio já ter encontrado o meu preferido desse escritor de língua alemã mais representativo da literatura germânica do final do século XX, mas tudo que acontece é aumentar em mais uma obra a lista de meus favoritos.

 

O primeiro romance seu que me mostrou  o quanto pode ser criativo o discurso narrativo contemporâneo, pese todos os medos de desaparecimento do romance frente à tecnologia e frente à escassez de criatividade, foi O sobrinho de Wittgenstain, característicamente autobiográfico num discurso engenioso e criativo.

 

Então nos anos oitenta, iniciava minha jornada em Thomas Bernhard. Com uma parada de alguns anos, por motivos que somente interesses literários e de aprendizado podem explicar, voltei à leitura de suas obras e a me encantar ao mesmo tempo que me aterrorizar com suas narrativas carregadas de sufocamento humano, enfermidades da alma que revelam o quanto sua vida e sua obra são inseparáveis.

 

Deve a seu avô materno, que conhecia muito bem a Novalis, o aprendizado da importância da enfermidade para o artista, para o criador: “O enfermo é um clarividente, para ninguém é mais clara a imagem do mundo (...) O artista, especialmente o escritor, tinha claramente obrigação de ir de vez enquando a um hospital ou a uma prisão ou a um monastério” e ainda dizia que talvez sua própria doença, como a de seu neto, fosse inventada... “A questão era saber se havia sequer enfermidades reais, se não eram enfermidades inventadas todas, porque a enfermidade em si era uma invenção”.

 

 

Sua vida foi marcada pela enfermidade desde sua adolescência com internações em sanatórios por tuberculose e outros problemas de saúde ao longo dos anos. Em uma biografia escrita pelo estudioso e tradutor ao espanhol de sua obra, Miguel Sáenz, descobrimos os detalhes de sua trajetória, desde seus dramas familiares em busca de um pai ausente, seus estudos na Juventude Hitlerista nos anos 30 e 40, para culminar com o sucesso de sua carreira literária que hoje é considerada uma das mais significativas da Literatura européia moderna. Thomas Bernhard foi por muito tempo considerado “um escritor para escritores” e sua obra é hoje fundamental para a literatura contemporânea.

 



Escrito por Sofia às 11h26
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Suas narrativas são muitas vezes, marcadas pela autobiografia mitificadora, ou mistificadora, como a chamam alguns estudiosos. Confessadamente exagerado e fantasioso, Thomas Bernhard, que raramente dava entrevistas ou se deixava fotografar, escreve sua “autobiografia autorizada”, digamos assim, pelo simples fato de que queria dizer ele próprio coisas que supostamente outros poderiam dizer de sua vida. Escreve então os cinco volumes que hoje são considerados um exemplo de autobiografia literária moderna: A origem, O sótano, O alento, O frio, e Um menino, escritos e aparecendo regularmente de 1975 a 1982.

 

Em suas narrativas, por um lado, utiliza dados rigorosamente exatos e por outro os deforma de maneira caprichosa. O imitador de vozes foi saudado pela crítica como uma das obras mais imaginativas e menos bernhardianas de Bernhard, e contudo, cada vez mais se verifica que quase todas as histórias se baseiam em algum fato real geograficamente localizável.

 

Notadamente por sua formação musical, Thomas Bernhard constrói um discurso altamente rítmico, onde frases são construídas sobre outras para criar uma musicalidade que muitas vezes se sobressai à narração. As repetições exageradas, mas que de nenhuma maneira podem ser dispensáveis no discurso, faz pensar numa esquizofrenia narrativa, como sugere seus críticos.

 

Também chama a atenção sua enfermidade respiratória, que se de um lado o impediu que seguisse com uma carreira de canto que prometia grandes sucessos, de outro lado o proporcionou uma sensibilidade criadora para desenvolver sua própria técnica da repetição na narrativa, ritmicamente estruturada que tanto o caracteriza e encanta ao leitor que se dispõe a enfrentar sua arte.

 

É com o romance Verstörung (Transtorno) de 1967 que Thomas Bernhard alcança sua sólida reputação literária. George Steiner considera o autor como “o romancista mais original e intenso em língua alemã”.

 

Transtorno é desenvolvido num clima tenso e asfixiante de um povoado austríaco perto do castelo de Hochgobertnitz, onde o príncipe Saurau, um nobre decadente e patético, no entanto genial, se encontra num estado tão próximo à sabedoria como da loucura (seriam sinônimos?). É o persongem principal do romance, mas só chegamos até ele, depois que a narrativa nos assombrou com um mundo metaforizado em uma população doentia, violenta e bruta, bastante caracterizada na obra de Thomas Bernhard.



Escrito por Sofia às 11h24
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